Monday, November 20, 2006

Fazendo Barulho

Tô fazendo barulho. Escuta ai :

www.myspace.com/sdmaluco

Friday, November 03, 2006

Esteriotipo Creativo.

Wednesday, October 11, 2006

The Lost Footage - HUGO

Alguns amigos encontraram o primeiro filme de George Romero. Ei-lo aqui, para apreciação geral.

Uma cabeça no meio do peito

Agora,escreverei com todos os acentos, menos crase. Não acho a porra da crase.

Este é o primeiro capítulo do livro que estou escrevendo. Não sou escritor, apenas gosto de escrever. Quem quiser que leia. Quem não quiser, que vá ver MTV.




Capítulo 1. Em que tudo faz sentido.

Hoje acordei normalmente, como acordava nos outros dias. Porém, algo estranho ardia em meu peito. Algo ancestral, de muito antes de hoje. Tentei não dar bola, por achar aquilo apenas reflexo dos anos de maus cuidados com meu carregador de alma. Mas ao olhar no espelho do banheiro, percebi que aquela não era uma dor no peito como as que sentia desde 1993. Não era uma dor causada pelo excesso de cigarros, ou pelas garrafas de scotch sem gelo. Algo brotava em meu peito. Uma bolinha dura bem no meio do tórax. Não tinha cor, nem cheiro. Era apenas uma bolinha embaixo da pele, que não estava ali ontem a noite.

O dia no escritório prometia. Revisar relatórios, consertar planilhas, catalogar devedores. Que emocionante. Nada mudou desde o primeiro dia que entrei pela pesada porta de madeira. O relógio ainda conta as horas, os minutos e os segundos. Amores nascem e morrem. Folhas são impressas e jogadas fora. Eu ainda olho pra ela. No primeiro dia, ela nem me viu. Até quinta feira da semana passada, não sabia que eu trabalhava aqui. E agora olha para mim com nojo, com desprezo. Eu nunca faria mal a nenhum ser humano, mas ela transcendia a humanidade, por trás daqueles olhos ardiam chamas milenares, representação e prova viva da existência de algo superior. Tive que agir. A própria evolução da humanidade depende disso. De ações, de atos irresponsáveis como o daquela tarde. A tarde em que a conheci, e a tarde em que a perdi para sempre. Durante os dois anos em que trabalhei naquele lugar, fui apaixonado por ela. E durante esse tempo todo a admirei de longe, calado e incapaz. Mas quinta feira eu resolvi que era hora de tomar uma atitude. Um copo de café era o pretexto perfeito para abordá-la. Esperei até ela estar com meio copo cheio e fui até ela. Olhei para seus lábios. Mesmo calada aqueles lábios falavam comigo. E naquele momento diziam ser a hora de beijá-los. Beijei. Quero dizer, tentei beijar. O café, muito quente, queimou minha cara. Ela virou as costas e foi embora, catalogar devedores.

O pessoal do escritório vez por outra comenta a cena lamentável. A tentativa de beijo. O copo jogado na cara. A humilhação. As mãos sem saber pra onde ir. A dor da completa ignorância nas artes do amar. Mas o pior não eram os olhares irônicos nem os comentários sarcásticos. O pior era que agora sua indiferença era estudada. Sua fuga do meu olhar, racional. Seu desprezo, reforçado por uma imagem construída no caos. Ela é tudo que quero, e eu sou um retrato sujo do que ela mais despreza. Mulheres bonitas não gostam de quem não tem experiência com mulheres bonitas. Não sabemos o que fazer com elas. Mulheres bonitas gostam de desprezo temperado com paixão fulminante, uma combinação complexa e difícil de ser equalizada.E ela era o ápice da beleza, o máximo de harmonia em um corpo humano. A pele, alva e perfumada, era sentida de longe por todos. O perfume da perfeição, com seu cheiro de coisas caras e sofisticadas. Um cheiro que nem tem cheiro, um cheiro psicológico. Sua bunda merecia um capitulo do atlas do corpo humano. Seus olhos, sempre maquiados, traduziam línguas ja esquecidas, animais, primitivas. Falavam comigo, me instigavam a idolatrá-los.Me perdia em seus cabelos, passava horas em suas mãos, perdia meu tempo em suas orelhas. olhava e estudava cada canto dela. Cada cova, cada ruga, cada espinha, cada fio, pêlo, mucosa. E naquela tarde, vendo-a tão perto, era como se Da Vinci oferecesse a Mona Lisa para a pincelada final. Uma obra prima ao alcance das mãos, não somente dos olhos. Ao final, restaram apenas pingos de café sobre um coração partido.

Quando o relógio marcou exatamente 18 horas, peguei meu casaco e saí sem rumo pelas ruas de Porto Alegre. O caminho, óbvio, foi a zona do meretrício baixo, as mazelas da sociedade que proporcionam alívio por vinte reais. Entrei no Bordelzinho Azul Calcinha, nome e cor. Elaine me esperava. Ela era um espelho que refletia todas que quis comer e não comi. Praticamente todas as mulheres pelas quais nutri obssessão carnal me desprezaram. E Elaine era todas elas. Seu nome, Elaine, é uma suposição, pois nunca perguntei. E naquela noite, a comi com fúria e paixão. Chupei sua boceta como se beijasse a mais sagrada das santas, como se chupasse a Virgem Santa em pessoa. 20 reais na mesa. 20 reais na mesa. 20 reais na mesa. A cena repetida a exaustão era agora minha rotina mais familiar. Nunca comi tanto Elaine como agora. Ela até já sabe meu nome, embora eu tenha preferido não saber o dela. Para mim, ela era Elaine, e era todas. A conhecia tanto que não tinha mais segredos. Seu cú, boceta e boca eram singelos adereços agora. Eu estava comendo sua alma. Ela devorava minhas inseguranças, engolia o subtexto da minha porra, e acariciava meu pau enquanto dividia amenidades. Praticamente um relacionamento. Por isso deu merda. Ela deixou de ser todas e virou uma, não minha, mas de todos. Um homem sem recursos se agarra ao menos arriscado, pois não pode perder nada. E ela era o menos arriscado, até aquela frase, enquanto comia seu cú.

" Eu te amo." Como assim, eu te amo ? Eu amo as que não tenho, e você não é elas, por mais que as vezes seja. Gozei. No "o" de amo. Não foi um orgasmo prazeiroso. Foi um vômito, um grito, um desabafo. Chorei muito, sentado na cadeira reservada aos casacos dos clientes. Me senti como um casaco de cliente, algo esquecido por um tempo, para servir como ponte na volta a realidade. Vestir o casaco após comer uma puta carrega em si algo de moralista, por servir como uma máscara que permite a volta ao seio familiar. Um escudo, uma negação. De certa forma, percebi que assim como Elaine era minha fantasia, eu era a sua. Sua fantasia de romance, o resquício escondido da alma da menina que acreditava no amor e na vida. A chance de algo melhor. Após a cena do café, logo fui demitido, sob acusação de assédio sexual. Fui uns dias a mais para vê-la, mas não a vi. Soube através de pessoas do escritório que ela namorava agora o gerente do meu departamento, um boçal sem talento que chegou a um posto de chefia comendo toda e qualquer mulher com mais poder que ele. Uma estratégia feminina adaptada aos novos tempos, de mulheres no poder. Eu não consigo. Não tento. Mas de certa forma, por não estar procurando emprego, aceitei que Elaine não cobrasse e isso é a essência da palavra gigolô. Não achei que seria tão fácil administrar um bordel, mas quando Elaine sugeriu que usasse meu fundo de garantia para comprar o Bordelzinho Azul Calcinha achei que poderia transformar o lugar em uma empresa rentável. Juntei todas as putas do lugar e as analisei financeiramente. O mundo é um lugar de fetiches, e os puteiros, a chance de realização de tudo o que pedimos em silêncio para as esposas e namoradas, no calor do amor. Eu acho, porque nunca tive uma namorada. talvez Elaine seja minha namorada, não sei. Mas pra ela nunca pedi em silêncio. Gritava, ordenava, pedia, mas nunca calava. E vendo-as perfiladas como militares, percebi que aquelas mulheres derrotadas pelo acaso eram armas poderosas contra o moralismo castrador da sociedade estéticamente perfeita. O gemido dos excluídos.

Para administrar uma empresa no submundo, é necessário pulso firme. Eu não tenho pulso firme. Eu sou aquele cara que sempre apanhava no colégio, o cara que não tinha amigos para dar cobertura, nem conhecimento intelectual para suprimir reações enérgicas de adolescentes chapados de hormônios através da psicologia. Eu sou, e sempre fui, um loser. Um perdedor, alguém em quem você descontava sua insatisfação com a mediocridade da humanidade, representada brilhantemente no rapaz tímido de físico franzino incapaz de articular um raciocínio próprio, aquele idiota que geralmente leva a culpa simplesmente por ser incapaz de usar a mente em sua defesa. Eu gostaria de dizer que ao descobrir que o conhecimento é a cura da ignorância minha vida foi transformada pelo estudo e pelo apuro artístico adquirido. Mas sou dono de um puteiro com um estoque de 7 putas malcuidadas e dois velhos garçons, e me sinto o dono do mundo.

Elaine. Manuela. Consuelo. Vera. Ângela. Lúcia. Tereza. Todas escondem uma beleza. Um potencial. Todas tem seus fãs, clientes regulares que lhes dão presentes e dinheiro para comprarem roupas no mercado publico. Para eles, quando elas estão dançando nuas no palco escuro, estão realizando performances exclusivas, declarações de amor, poemas com os corpos nus e a música pop. Estão dizendo eu te amo. As meninas adoram esses clientes. São eles as portas abertas para uma oportunidade de viver sem trabalhar, motivo principal desse mercado ter tanta força de trabalho. É muito mais fácil, por incrível que pareça e que as feministas teimem em chamar de exploração, para essas meninas venderem o corpo por duas horas e ganharem vinte reais do que fazer uma faxina de um dia inteiro por 35. Elas escolhem a prostituição. Eu sei de casos de pais e mães que forçam meninas jovens, de lugares onde os caras catam meninas de rua para explorar em troca de comida, existe muita podridão no meio sim, mas as meninas mais caras tinham outros motivos. E todos, sem exceção, entram nessa forçados não levados por alguém mas por uma entidade muito mais forte. A propaganda. Esse vermezinho interior alimentado por fontes luminosas, leva multidões ao delírio coletivo do ter em detrimento ao ser vendendo seus corpos ou almas em troca de dinheiro para ter. O que, nem sempre se sabe. O engraçado é que nesses casos, mesmo que se ganhe, se perde. Sempre haverá um algo novo, mais caro e inacessivel.

E é nesse calcanhar de Aquiles que concentrarei meus esforços de marketing. Criarei uma identidade visual e uma mitologia para cada uma das meninas. O foda é esse caroço no meio do meu peito que não pára de crescer.

A fachada do Bordelzinho, uma belíssima construção do século 30, foi toda reformada. A parte interna teve a assinatura de uma famosa arquiteta, que pediu para ser mantida no anonimato. As camas agora são revestidas por lençóis finos e por plásticos que permitem uma lavagem rápida e higiênica em menos de 3 minutos. Embora nossas funcionárias demorassem um pouco mais recolhendo para si objetos esquecidos pelos clientes e transformados em presentes para os amigos e família. Eu investi quase tudo no Bordelzinho. sobrou o suficiente para sobreviver por três meses. Mas logo as meninas começaram a faturar. E os problemas a aparecer.

Decidi que, devido a qualidade das novas instalações, cobraria uma taxa de couvert de dez reais. As meninas, que me repassavam 30% de seu faturamento, agora de roupas novas e maquiagem mais eficiente, cobravam 50 reais. Mas os antigos clientes não estavam satisfeitos. Por algum motivo, o Bordelzinho passou a ser frequentado por jovens de classe média, com camisetas de rock e piercings. Eles bebiam todo meu estoque de vinho a 3 reais a dose. Todo meu estoque de cerveja a 5 reais a garrafa. O Bordelzinho era um ótimo negócio, mas os antigos clientes não estavam satisfeitos. E não demorou até a primeira briga ocorrer. Foi a primeira vez que vi Wilson em ação. Wilson foi contratado por mim na rodoviária, como meu segurança particular e não demorou para se tornar um anjo da guarda das meninas, defendendo-as e ao bar como se fossem tudo que ele possuía. Bem, talvez fossem, mas isso ele mesmo pode contar para você.

Sunday, October 01, 2006

SubversivoMedia

Um Senhor de 30 Anos ou Socorro !!!! Sou Emo !!!!




Hoje percebi que sou um senhor aos 30 anos. Um senhor no sentido classico da palavra, aquele tipo que diz " Essa juventude " e " No meu tempo ". Gente que lembra de coisas que hoje nao tem mais importancia.

Como amar e ser amado, por exemplo.
Como escrever essa frase que ja foi usada muitas vezes por ainda a considerar necessaria.
Mais do que nunca, talvez.

Gente velha.

Tenho uma prima com a qual nao convivi muito, mas somos amigos no orkut. Recebi hoje uma mensagem dela me convidando para entrar em uma comunidade.

O Nome da comunidade e " Ja beijei / quero beijar a Camy "

A primeira frase que balbuciei foi " Essa juventude ". Para imediatamente emendar com um providencial "No meu tempo ". E no meu tempo, leitor amigo, as coisas eram diferentes.

Recentemente a Revista Capricho passou por uma reformulacao editorial. Temas como sexo e comunidades da internet ganharam um espaco editorial maior. Todas as mudancas em uma grande marca passam por pesquisas de mercado. E essas pesquisas indicam que falar de sexo e comunidades de internet e um bom negocio. Vende. O publico consumidor da revista varia de 12 a 16 anos.

Recebi hoje tambem, um email de uma amiga onde ela fala sobre a sexualidade como ferramenta de marketing pessoal. E cheguei a tres conclusoes aparentemente obvias para essa juventude.

1. Sexualidade vende. Quem nao quer comer a gostosa ? quem nao quer trepar com ela e suas amiguinhas sexy ? Quem nao quer gozar agora depois e amanha ?

2. To velho. Quero comer a gostosa e trepar com suas amiguinhas sexy. Quero gozar agora e depois e amanha. Mas nao tenho mais vontade de contar pros amigos ( Bem, isso e um pouco mentira ). Nem de usar isso como um instrumento de realizacao pessoal. E definitivamente, nao quero criar uma comunidade do Orkut pra descobrir quem quer me beijar. Ou pra contablizar publicamente minhas pezadas na jaca, as feias que peguei e nao conto pra ninguem. Porque elas tambem estariam la. Provavelmente, so elas.

3. To velho, de novo. Quero amar , quero sentir dor de saudade, quero abracar e sorrir. Quero escrever coisas piegas e banais sobre a importancia de ter alguem, nao uma comunidade.

Um choque de realidade tomou conta de mim. Participo de pesquisas de comportamento ocasionalmente, e ja havia tido contato com material que falava sobre essa revolucao nos costumes. Mas assim, na minha cara, foi a primeira vez.

O choque inicial desta constatacao foi substituido por um sorriso de plenitude. Um gosto de vitoria meio esquisito. Deve ser coisa de velho. Mas lembrei de coisas simples, como o sorriso do meu pai quando tinhamos um segredo, as brincadeiras no interior, os fins de tarde bucolicos de uma adolescencia cheia de descobertas. E da privacidade.

A Maria era a maior fofoqueira do colegio. Odiava ela. Sempre que eu ficava com uma menina ela contava pra minha namorada. E eu amava minha namorada. Mas amava tambem ficar com outras meninas, e, com quinze anos , ela certamente tambem tinha suas escapadas. Uma Open Relationship, embora na epoca isso nao existia. Pelo menos nao com esse nome.

Nunca participei de uma Open Relationship que nao fosse unilateral. Se soubesse que a menina havia ficado com algum outro cara, encerrava a relacao. E ponto final. Simples e cirurgico. Por outro lado, sempre fui um cara apaixonado por detalhes. Uma nuca. Uma frase. Um amor.

O amor, como detalhe, so fui conhecer um tempo depois. Digo como detalhe porque nas primeiras relacoes temos certeza que o amor sera pra sempre, que ocupara o plano geral inteiro do filme de nossas vidas. Mas depois descobrimos, com os relacionamentos futuros, que o amor e um detalhe.

Detalhe significativo, impossivel de substituir, mas detalhe.

Detalhe capaz de mudar nossas vidas, avassalador e definitivo como so os detalhes sao, mas detalhe.

Tudo comecou com uma nuca. Uns fiozinhos loiros que iam sinuosos de um lado para outro. Uma pelezinha arrepiada. Um detalhe. Conquistado. Amor pra toda vida. Inevitavel. Um sorriso que vem ate hoje, digitando embaixo da bitucas de cigarro caidas no teclado do macintosh modernoso.

Um amigo jovem entra e le o que escrevi ate aqui.

Me chama de velho. Respondo que sou romantico. Apenas pra descobrir que hoje em dia nao existem mais romanticos. No maximo alguns emos.

Essa juventude...

Saturday, September 30, 2006

Mata-me ou Um Filme Noir on Acid

Nutria por ela uma absoluta falta de interesse e isso a fascinava. Muito embora fosse cortejada por todos os funcionarios da fabrica, era por mim que ela suspirava . Nao estou sendo arrogante, pelo contrario, minimizo sua paixao para nao a deixar em posicao ridicula. Mas era algo de insano o seu comportamento. Algo psicopata no olhar. Um cheiro de sangue no suor. Uma centelha de paixao transformada em amor pra toda vida. Dei dois tiros na boca pra parar de encher meu saco.

Percebi entao que levava jeito pra coisa. Seduzir mulheres sempre foi uma rotina em minha vida. A novidade agora era mata-las. O comeco de minha clientela foram pequenos comerciantes do bairro, que descobriram recentemente sua posicao de corno. Uma foto recente, um endereco e duas balas. Uma vagabunda a menos no mundo. Com o passar do tempo, os clientes foram sofisticando-se. Diplomatas, politicos, a policia. Todos compravam meus servicos e ninguem nunca reclamou. Ate hoje.

Ela entrou na sala no momento em que servia a primeira xicara de cafe do dia. Uma xicara de cafe e um cigarro todos os dias ao acordar. Houve um tempo em que isso nao era problema algum. Eu sou um cara a moda antiga. Ela nao. Piercing na lingua, percebi com as primeiras silabas. Talvez uma tatuagem, um alargador. Nao lembro. Lembro da imagem moderna, das roupas estranhas, da bota roxa. A bota roxa. Eu de terno, detetive, algo noir. Sempre curti esse clima retro. Agora ta na moda. Ela usa um xale , que so fica bem nela. Uma piteira pro marlboro vermelho e unhas descascadas de um preto sedutor. Tive vontade de come-la ali mesmo, sobre os papeis da mesa, ou no banheiro, onde como a secretaria.

Mas ela logo comecou a falar.

- Meu marido voce conhece, e seu amigo. O Nunes, da Nunes Empreendimentos. Lembro de voce la em casa, na festa de fim de ano.

Nao conheco o Nunes. No fim do ano executei um empresario cujo socio descobriu que estava sendo roubado. Ganhei 100 mil dolares, por tres horas de trabalho. O nome do cara era Phillip, um canadense que morava no Brasil. O socio sacou que estava sendo roubado porque comecou a comer a secretaria. A secretaria tambem dava pro outro cara, e entregou as maracutaias quando levou um pe na bunda. Depois desse trabalho, como minha secretaria todos os dias. Pensei em mata-la, mas ela tem uma habilidade muito grande no arquivamento de memorandos.

Fui sincero :

- Eu nao lembro de voce.

- Eu lembro de voce. De terno preto impecavel, mas diferente dos outros caras de terno preto impecavel. Uma sombra nos olhos, algo morbido. Ameacador. Predatorio. Fiquei muito excitada. A noite, trepando com meu marido, pensei em voce. Gozei muito.

Fui duro. Tempo e dinheiro. E mesmo com meu pau saindo pra fora da calca, sempre acreditei que o sucesso da economia americana se deve a capacidade de colocar negocios em primeiro plano na vida. Business first, as they say.

- Voce veio porque precisa de mim, ou para falar sacanagens ? Se quiser foder, marcamos um jantar.

- Na verdade, quero que voce mate meu marido. E a putinha da amante dele. E as filhas dela.

- Nao mato criancas.

- Elas nao sao tao novas, a menor tem 12.

- Tudo bem, mas vai custar. Voce tem dinheiro ? Euros, em especie. Nao aceito carros nem joias. Dolares, so notas anteriores a 1998.

- Dinheiro nao e problema. Eu quero ver fotos, e possivel ?

- Nao das meninas. So do teu marido e da mulher.

Porto Alegre no verao e insuportavel. O calor desperta a ansiedade ao mesmo tempo em que o implacavel sol castiga. Eu geralmente trabalho em Sao Paulo. E la que o dinheiro esta. E la tambem onde esta meu amor. Gabriela, a morena que esse coracao carniceiro roubou como se fosse nada, em uma tarde de tempo regular na Paulista. A piada mais paulista sobre a Paulista que conheco e que e como o casamento, comeca no paraiso e termina na consolacao. Nos cruzamos bem no meio, e em menos de dois segundos meu frio e calculista cerebro assassino tracou um plano de acao visando o mais religioso e sagrado dos principios morais : A perpetuacao da especie. Ou melhor, a pratica higienicamente correta, com preservativos diferentes para a perpetuacao vaginal e anal.

- Natalia !!! - Gritei, abracando-a.

Ela me empurrou e disse com palavras tao doces quanto notas musicais :

- Vai toma no cu, filho duma puta, vai agarrar tua mae, viado !!!!!

Ninguem sobrevive no negocio da morte sem ter algumas habilidades caninas. Um cao noruegues sem treinamento algum foi perdido por uma familia no norte da Alemanha e cruzou a Europa durante dois meses ate encontrar a casa de seus donos. Eles haviam morrido, em um acidente de carro procurando pelo cao na Alemanha. Caes sao estupidos. Habilidades caninas sim, caracteristicas caninas nao. Vou exemplificar : A habilidade de reproduzir atraves de sinais geralmente imperceptiveis uma rota completa. Ponto para os caes. A lealdade : Ponto para os assassinos.

Leopoldo me contratou para matar Sofia, sua jovem amante. Leopoldo odeia violencia e amava Sofia. Belissima, tracos delicados e voz suave, era um oasis de paz na vida atribulada deste senhor grisalho de olhos amargos, dono de um imperio imobiliario , onde se percebia um fio tenue de luz ao pronunciar o nome da amada. Hoje, amargurado pela culpa, Leopoldo vive recluso em sua mansao no Morumbi, de onde nao sai, comunicando-se com o mundo exterior somente atraves de seu sobrinho e unico familiar vivo, Enrico.

Enrico e um verme. Apesar de usufruir de todo patrimonio e de ser o herdeiro natural dos bens de Leopoldo, ele nao pode esperar. Sua ligacao no exato momento em que Gabriela me empurrava na Paulista revelou-se depois um sinal premonitorio.

Roteiro Incompleto de um amontoado de frases

01.Em casa. No Quarto. A possibilidade de chuva e nula. Olho pela janela e fico intrigado com a menina que mexe em meu lixo. Ela usa uma saia de jeans surrada, que parece curta pra ela. Mas a veste com propriedade, salientando as coxas alvas.

Nos dias secos, minhas plantas morrem. Fico triste quando vejo os casais assim, tao proximos. Deixo a auto piedade tomar conta. Ela me embala, sonora e avassaladora em um videoclipe tosco sobre o amor, onde o personagem principal sou eu.

Vai te foder, eu disse.

Assim, como quem diz eu te amo.

02. A Lelinha foi o amor da minha vida ta conjugado errado. Amor da minha vida sempre e conjugado no presente. Perder o amor e como perder o passado. Uma amontoado de frases. Isso aqui ta uma merda. nao entendo o cliche que vivemos. Conjugado no passado e no presente. BIG FAT CULPA tatuado na cara. Um filhodaputa tri massa, escrito no epitafio.

03. Em Londres, Big Ben. Ela combina com o fog. As vezes, a noite, eu espiava entre seus olhos e via la dentro, bem no fundo, um fog semelhante. Um pouco mais triste, talvez.

04.Em casa. 2 comodos. No banheiro. Cagando com um laptop no colo percebo que a humanidade chegou ao topo de sua evolucao intelectual. Produzir merda em quantidades industriais em escala global. Wireless chain of crap.

05. Em casa. Sol na cara. E, talvez a melancolia seja um pouco feliz, afinal de contas.

Trilha : Memories are made of this , by Mr. Johnny Cash.

Monday, September 25, 2006

Kiss Me Baby

Elvis with lasers

Qualquer filme que tenha Elvis usando raios contra uma mao assassina merece ser visto.

I Pick. U Mr. Pink

tem gente com tempo sobrando...Senao ninguem lia blogs nem fazia interferencias nos filmes do Tarantino.

I Pick The colors, You are Mister Pink.

Thursday, September 14, 2006

Fair Play

Eu queria ter uma parede com todas essas capas.

Escrever

Escrevi um curta. Bem, metade de um curta. Fala sobre a Oxiticina. Ou Oxitocina.

Ou qualquer apelido carinhoso que voce de para essa substancia.

Que provavelmente voce nem conhece, mas que aparece naqueles momentos dedinhos contorcidos.

Estatisticamente, o roteiro sera um sucesso. 2 pessoas leram e gostaram. Audiencia qualificada.

Quer saber mais sobre essa substancia ?

www.google.com

To com preguica de escrever.